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Terça-feira, Outubro 12, 2004
BLOG DESATIVADO POR TEMPO INDETERMINADO.
pirs at 2:48 PM Terça-feira, Outubro 05, 2004 11 horas da manhã. essa é uma das partes que o dia fica mais claro. o céu está cinza escuro. ele está caminhando, aparentemente, sem rumo, como sempre. ele é o mais quieto de todos. poucos são os que prestam, bando de gente idiota. ficam me imitando, só pq me viram sozinho, uma vez. há muito tempo atrás. mas, ah, pára de pensar nisso. não quero pensar nisso. ele se encontra na frente da igreja do centro. é uma construção bonita e ele gosta dela. fica de frente e vai indo para trás até ter uma boa e confortável vista. pronto. óitmo, de costas para um muro. ele se senta no chão e se enconsta no muro, que aparenta ser preto. mas isso é só por causa da escuridão que é esta cidade. fica olhando para a igreja mas alguma coisa, a sua esquerda captura a atenção dele. ele olha. é uma coisa colorida, vermelha. uma pessoa possivelmente. ele não dá bola. ele não gosta de multidões e não gosta quando pessoas olham para ele com uma cara estranha. mas também, sua aparência 'chama a atenção'. ele é alto, tem cabelo cumprido cinza claro e está sempre usando roupas estranhas vermelhas e pretas. usa botas que ganhou do pai, que morreu anos atrás. a pessoa está mais perto. está usando um vestido estranho, vermelho e rosa. e ela é loira. tem olhos verdes, mas isso ele não consegue ver. e ela está carregando algo. não dá pra ver direito o que é. ela pára, na frente da igreja e de lado pra ele. olha para a igreja, se vira e vai em direção a ele. ele estranha. nenhum estranho fala com ele. ela pára na frente dele. ele tá olhando pro chão. 'com licença' ela diz. ele levanta a cabeça e a olha. é bem mais bonita do que ele imaginava.
pirs at 8:20 PM Segunda-feira, Outubro 04, 2004 só pq ela lembra ela. pirs at 8:43 AM Quarta-feira, Setembro 29, 2004 nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao nao.
pirs at 11:45 AM Segunda-feira, Setembro 27, 2004 explodam.
pirs at 9:04 AM Segunda-feira, Setembro 20, 2004 ah, a cidade branca de novo. está exatamente igual. isso é bom, eu acho. o silêncio continua o mesmo, incomodando meus ouvidos. paro. escuto o vento. aquele mesmo vento frio. ele passa e parece que entra por todas as veias do meu corpo. me arrepio e, sem querer, dou um passo para frente. estranho, mas continuo. sigo andando. olho para os lados, cuidadosamente. parece que qualquer movimento brusco que eu faça vai destruir com tudo. talvez. prefiro não arriscar. a cidade começa a tomar cor. mas é tudo... diferente. tons de cinza e preto aparecem. as linhas da cidade parecem mais grossas. as retas não parecem tão retas. começo a ficar com medo. quer dizer, com mais medo. acho melhor parar. paro de caminhar. ou correr. respiro lentamente. olho para trás. trilhos. acho que senti algo se mexendo aqiu na minha frente. viro pra frente, rapidamente. sinto o vento frio mas mais rápido e vejo a cidade. está normal. é a cidade? mas... eu não estava aqui. estava? ah, me lembrei. ontem eu sonhei com isso. saí do trem e apareceu aquela maldita cidade branca e vazia. tá, mas... eu não estava aqui antes. estava? não, não pode ser. foi só um sonho. pirs at 5:15 PM Sábado, Setembro 18, 2004 abriu os olhos. a paisagem continua ali, indo para trás, através do vidro. ele não move a cabeça. o barulho do trem continua ali. ele escuta uma voz de mulher falando que é a última parada. ele se levanta e vai até a saída. o trem pára, abre as portas, ele desce e o trem parte. o barulho do trem está diminuindo e isso o deixa em um silêncio confortável. mas está mais silêncio do que o normal. ele olha pra cidade. é gigante. muitos prédios altos. mas, está tudo vazio. ele não escuta nada. nem uma criança brincando com os pais, nem um vendedor ambulante gritando, nem um carro passeando. a cidade começa a ficar toda branca e bate um vento frio que passa por todo corpo dele. ele se arrepia e...
pirs at 12:04 PM Quinta-feira, Setembro 16, 2004 *vazio*
hm.
pirs at 11:00 AM Segunda-feira, Setembro 13, 2004 desceu a escada. agora é só andar reto. ela saiu do prédio. olha para todos os lados. vê apenas um vulto ali no beco. um gato, ela pensa. começa a andar. está segurando o seu bixinho de pelúcia favorito. um morcego verde. ele não é assustador. agora ela tem que passar pelo beco, é a pior parte. ela vê um cara lá. não aparente ser adulto nem criança. deve ser aqueles que não são adultos nem crianças, ela pensa. quando nota sua presença, ele a olha. ela olha pra ele também, andando. o olhar dele é assustador. não dá pra enxergar ele direito, tá tudo escuro ali. mas seus olhos parecem brilhar. ela se assusta demais e olha para frente. avista a sua amiga. fica feliz e sai correndo em direção à ela. em um segundo de incerteza, ela escuta uma risada. dele, provavelmente. mas depois esquece. pirs at 12:26 PM Sábado, Setembro 11, 2004 fechou a porta. parou no corredor. pensa por um segundo em sua família. tira o isqueiro do bolso. acende o cigarro. está tudo tão alto. dá a primeira tragada. relaxante. continua caminhando. entra no elevador. aperta o botão. olha para o relógio. 23:50 pirs at 11:53 AM Quinta-feira, Setembro 09, 2004 passos. ela abre os olhos. vê seu marido ali do lado, deitado, dormindo. por um segundo, se sente aliviada. passos continuam. barulho na sala. é ele. só pode ser ele. vai sair de novo. é sempre assim. não entendo. pq ele faz isso? será que ele não gosta de nós? ele anda muito estranho, ultimamente. as coisas não eram assim. não vou ali, falar com ele. não quero sofrer mais. barulho de chaves. a porta fechou. escuro. pirs at 9:12 PM Terça-feira, Setembro 07, 2004 todo mundo da cidade conhece aqueles antigos que são frios e vão para a zona industrial de noite. aqueles que nada falam. eles tem um 'apelido' especial. são chamados de 'os quietos'. nada mais justo. ninguém sabe quem deu esse apelido para eles. talvez tenha sido eles mesmo, pq não? pirs at 12:15 AM Segunda-feira, Setembro 06, 2004 existe, sim, sol na cidade. mas é no 'centro'. é um privilégio dos novos. foi eles que 'fizeram'. o céu começa azul, claro. na hora de sair do trabalho, fica rosa fraco. e de noite, preto. sempre assim. é lindo ver o céu no centro. poucos antigos já viram. só os aventureiros. aqueles que anseiam por uma coisa nova. uma coisa bonita. uma coisa... diferente. claro, a cidade é linda. mas pessoas se cansam dela. e procuram coisas/lugares diferentes. alguns não acham. outros sim. e a recompensa, depois de mese, as vezes anos, procurando, vale a pena. vale muito a pena. e são essas pessoas que conseguem ver o sol. de verdade. pirs at 8:48 AM Domingo, Setembro 05, 2004 é uma cidade industrial. ou, pelo menos, era. antigamente, tudo funcionava direito. todas as fábricas e indústrias. mas, um dia, isso parou. a zona industrial, que é quase 50% do espaço da cidade, morreu. ninguém mais trabalha lá. ninguém mais vai pra lá. quer dizer, claro que tem gente que vai pra lá. fugindo. mas ninguém mora lá. não tem condições. e se alguém mora lá, ninguém sabe. mas ninguém deve morar lá, não. se fosse para morar lá, que saie da cidade. pq morar ali quando se pode sair, de vez, da cidade, desta vida? é barato. financeiramente. mas é caro. custa coragem. quase ninguém foge de vez. sozinho. mas tem gente que vai. ah, claro que tem. pirs at 1:53 PM Sábado, Setembro 04, 2004 no verdadeiro centro da cidade, se localiza uma igreja. e um padre mora lá. não tem missa nos domingos. não tem missa nunca. ninguém vai lá. talvez pq ninguém acredite em Deus, diabo, céu e inferno. quer dizer, algumas pessoas acreditam. mas não vão à missa. não existe religião na cidade. nem mesmo os novos tem religião. eles simplesmente acreditam no que querem e, se quiserem, chamam aquilo de religião. assim como uma velhinha tem fé em coisas que, aparentemente, a salvaram da morta, uma criança acredita que papai noel não vem quando chove. ninguém se preocupa com isso. ninguém fala sobre isso. o padre só está lá para ouvir as pessoas que, eventualmente, aparecem para qualquer coisa. talvez nem mesmo o padre acredite em Deus. mas, mesmo assim, existe gente que vai a igreja e reza, seja para quem for. e é essa igreja que fica no exato centro da cidade. e talvez seja isso que é o coração da cidade. a fé das pessoas. no que elas acreditam.
why not?
- sim? - ele diz.
ela sorri e fala, mostrando o que tem dentro da cesta:
- gostaria de comprar alguma rosa?
ele percebe esperança na cara dela e olha para a rosa. ela é... vermelho vivo. cor de sangue. talvez não fosse natural. mas não importa. é linda. ele percebe o quão raro é encontrar uma coisa dessas na cidade. ninguém gosta disso. ele gosta. então ele olha pra ela. no olho dela. é lindo, como a rosa. ela tem uma cara triste, apesar do sorriso, ele percebe. esteve chorando há pouco. ele sente pena dela. ela deve ser uma daquelas filhas bonitas que trabalham no lugar dos pais que estão ocupados demais brigando. por um segundo, ele pensa em sorrir. mas, nessa hora, olha para baixo e diz:
- não, obrigado.
- ah, tudo bem. - ela fala e faz uma cara que ele não vê.
e então ela sai. ele a observa sair. e sente alguém o cutucando, na cabeça. ele olha para o lado oposto e identifica as pernas da pessoa que está fazendo isso. ele se levanta e pára de pensar na moça das rosas.
why not?
why not?
raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva raiva.
why not?
eu morri, sabiam?
why not?
why not?
acordei. onde estou? em casa. tá tudo aqui. era só um sonho. sonho? é, só um sonho. ele se levanta. são 4 da manhã. está escuro. mais do que de 'dia'. ele vai para a cozinha. abre um pacote de leite e bebe, puro. deixa o leite na boca por uns 3 segundos e depois bebe. faz a mesma coisa de novo. mas, dessa vez, ele não sente o leite na boca. ela, alias, todo o corpo dele, parece anestesiado. não é a primeira vez que isso acontece. estranho. no sonho não era assim. eu senti um vento frio. eu senti.
why not?
não tem sentido usar esse template.
isso aqui não tem mais sentido.
me cansei desse troço.
quer dizer, não cansei, eu ainda gosto de pensar na cidade.
mas não tanto quanto antes.
eu tenho mais alguns textos ainda.
só tenho que achar.
mas aviso:
isso aqui não vai durar muito tempo.
why not?
why not?
why not?
why not?
why not?
why not?
why not?